Pensando como Servo
(Rick Warren)
“Meu servo Calebe pensa diferente e me segue de forma
integra”
(Números 14:24; ncv)
“Pensem de vocês mesmos tal como Cristo Jesus pensava de si mesmo.”
(Filipenses 2.5; Msg)
Servir começa na mente.
Ser
servo requer uma mudança de rumo em sua mente, uma alteração
de postura. Deus está sempre mais interessado em por que você faz algo
do que no que você faz. Atitudes contam mais que realizações. O rei
Amazias perdeu a graça de Deus porque fez
ele o que era reto perante o Senhor; não, porém, com inteireza de coração.1
(2 Cr. 25:2)
Servos verdadeiros servem a Deus
com uma mentalidade que engloba cinco atitudes:
1
– Os servos pensam mais nos outros do que em si:
Os
servos se concentram nas outras pessoas, e não em si. Esta é a verdadeira humildade: não pensar menos de si, mas
pensar menos em si. Eles são abnegados. Paulo disse: “Não tenha cada um em vista o que é
propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros (Fp. 2:4). Em
outras palavras: Esqueçam de si o suficiente, para ajudarem ao próximo.2
É isso que significa “perder a vida” — esquecer-se de si mesmo para servir
aos outros. Quando deixamos de nos concentrar em nossas próprias necessidades,
ficamos a par das necessidades ao nosso redor.
Jesus
Esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo. (Fp.2:7). Quando foi
a última vez que você se esvaziou
a si mesmo para benefício de alguém? Você não pode ser servo se estiver
cheio de si mesmo. É somente quando nos esquecemos de nós que fazemos coisas
que merecem ser lembradas.
Infelizmente,
grande parte do serviço que prestamos é em causa
própria. Servimos para que os outros gostem de nós, para sermos admirados ou
para alcançarmos nossos objetivos. Isso é manipulação, e não ministério.
Ficamos o tempo todo pensando, na verdade, em nós mesmos, e em como somos
maravilhosos e nobres. Algumas pessoas tentam usar o serviço que fazem para
barganhar com Deus: “Vou fazer isso por você, Deus, se você fizer aquilo por
mim”. Os verdadeiros servos não tentam usar a Deus para seus propósitos; deixam
que Deus os use para os propósitos dele.
Ser abnegado, assim como ser fiel, é uma qualidade extremamente rara.
Dentre todas as pessoas que Paulo conheceu, Timóteo foi o único exemplo que
ele pôde apontar. Porque a ninguém tenho
de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos
eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus(Fp. 2:20,21) .
Pensar como servo é
difícil, pois entra em choque com o principal problema de nossa vida: somos,
por natureza, egoístas. Pensamos demais em nós mesmos. Por esse motivo, a
humildade é uma luta diária, uma lição que temos de reaprender
repetidamente. As oportunidades de ser servos colocam-se à nossa frente dezenas
de vezes por dia, nas quais temos a chance de decidir entre satisfazer as
nossas necessidades e as necessidades dos outros.
A abnegação é a
essência do serviço. Podemos avaliar nosso coração, ver se somos servos pela
forma de reagirmos quando os outros nos tratam como servos. Como você reage
quando as pessoas não o levam em consideração, lhe dão ordens o tempo todo ou
o tratam como alguém inferior? A Bíblia diz: Se alguém te obrigar a andar
uma milha, vai com ele duas. (Mateus 5:41)
2 – Os servos pensam como administradores, não como donos:
Os servos se lembram
de que Deus é o dono de tudo. Na Bíblia, o administrador era o servo encarregado
de gerenciar uma propriedade. José foi esse tipo de servo quando prisioneiro
no Egito. O serviço e a administração andam juntas, Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de
Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus (1 Co. 4:1), pois Deus espera
que sejamos dignos de confiança nas duas coisas.
A Bíblia diz: Ora,
além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja
encontrado fiel (1 Co. 4:2). Como você está lidando com os recursos que
Deus lhe confiou?
Para tornar-se um verdadeiro servo, você terá de resolver a questão do
dinheiro na sua vida. Jesus disse: Nenhum servo pode servir a dois senhores
[...] Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.8 Ele não disse “Vocês não devem”, mas
“Vocês não podem”. É impossível. Viver para o ministério e viver para o
dinheiro são objetivos que se excluem mutuamente. Qual deles você escolhe? Se
você for servo de Deus, não pode fazer um “bico” por sua conta. Todo o seu
tempo pertence a Deus. Ele exige lealdade
exclusiva, e não fidelidade de meio expediente.
E o dinheiro que tem o maior potencial para substituir Deus
na nossa vida. Mais pessoas são desviadas do serviço de Deus pelo materialismo do que por
qualquer outra coisa. Elas dizem: “Após ter atingido meus
objetivos financeiros, vou servir a Deus”. É uma decisão tola, pela qual se arrependerão por toda a
eternidade. Quando Jesus é seu Mestre, o dinheiro serve você, mas, se o
dinheiro for seu mestre, você se torna escravo dele. A riqueza não é
absolutamente um pecado, mas deixar de usá-la para a glória de Deus o é. Os
servos de Deus sempre se preocupam mais com o ministério do que com o dinheiro.
A Bíblia é extremamente
clara: Deus usa o dinheiro para saber se você é um servo fiel. Foi por isso que
Jesus falou mais sobre o dinheiro do que sobre o céu ou o inferno. Ele disse: “se,
pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem
vos confiará a verdadeira riqueza”? (Lucas 16:11). A forma de você gerenciar seu dinheiro
afeta a quantidade de bênçãos que Deus derrama sobre sua vida.
3 – Servos pensam no seu trabalho, e não no que os outros estão fazendo:
Eles não fazem
comparações, não criticam nem competem com os outros servos ou ministérios.
Estão muito ocupados realizando o trabalho que Deus lhes deu.
A competição entre servos de Deus é absurda por muitas razões. Estamos todos no
mesmo time; nosso objetivo é fazer que a pessoa de Deus apareça de forma
positiva, e não a nossa pessoa. Recebemos diferentes atribuições e temos todos
uma forma exclusiva. Paulo disse: “Não nos deixemos possuir de vanglória,
provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros.” (Gálatas 5:26);
“Porque não ousamos
classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas eles,
medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam insensatez.”
(2 Co. 10:12)
Não há lugar para ciúmes mesquinhos entre servos. Quando
você está ocupado servindo, não há tempo para ser crítico. Todo tempo
desperdiçado em criticar os outros poderia ser usado no ministério. Quando
Marta reclamou para Jesus que Maria não a ajudava com o trabalho, ela perdeu
seu coração de serva. Os verdadeiros servos não reclamam de injustiças, não
sentem pena de si mesmos nem ficam aborrecidos com os que não servem. Eles
apenas confiam em Deus e seguem servindo.
Não é
nossa função avaliar os outros servos do Mestre. A Bíblia diz: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu
próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso
para o suster” (Rm. 14:4). E também não é nossa função nos defendermos das
críticas. Deixe que seu Mestre tome conta disso. Siga o exemplo de Moisés, que
se mostrou verdadeiramente humilde quando enfrentou oposição. Ou faça como
Neemias, cuja resposta às criticas era simplesmente: “Enviei-lhes
mensageiros a dizer: Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer;
por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” (Ne.
6:3)
Se você serve como Jesus, pode esperar ser criticado. O mundo, e até mesmo grande parte da igreja, não
compreende o que Deus valoriza.
4
– Os servos baseiam sua identidade em Cristo:
Por
se lembrarem de que são amados e aceitos pela graça,
não têm de provar seu valor. Eles aceitam de bom grado trabalhos que pessoas
inseguras considerariam “abaixo” delas. Um dos mais profundos exemplos de
serviço realizado a partir de uma auto-estima segura foi a lavagem dos pés dos
discípulos, realizada por Jesus. Lavar os pés era uma função desprovida de status.
Mas Jesus sabia quem era; então a tarefa não ameaçou sua auto-estima.
Se você quer ser servo, deve depositar sua identidade em Cristo.
Somente pessoas seguras de si
podem servir. Pessoas inseguras estão sempre preocupados com a aparência
perante os outros. Elas temem a exposição de suas fraquezas e se escondem sob
camadas de orgulho
e pretensão. Quanto mais você for inseguro,
mais irá querer que as pessoas o sirvam e mais necessitará da aprovação delas.
Os servos não precisam cobrir as paredes com placas e prêmios para
confirmar seu valor. Eles não
insistem em ser tratados por títulos nem se envolvem em mantos de
superioridade. Os servos
consideram irrelevantes os símbolos
de status e não medem o próprio valor pelas realizações. Paulo disse: “Porque
não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.”
(2 Co. 10:18)
Se
alguém teve grande chance na vida de
se gabar de seus conhecimentos pessoais e de citar seus relacionamentos, esse
alguém foi Tiago, o meio-irmão de Jesus. Ele detinha as credenciais de quem
tinha vivido com Jesus na condição de irmão. Ainda assim, na introdução de sua
carta, ele se referiu a si mesmo como servo de Deus e do Senhor Jesus
Cristo.16 Quanto mais próximo você estiver de Jesus,
menos precisará promover a si mesmo.
5
– Servos consideram o ministério uma oportunidade, não uma obrigação:
Eles gostam de ajudar pessoas,
suprir necessidades e ministrar. Servem ao Senhor
com alegria.17 Por que eles servem com alegria?
Porque amam ao Senhor, reconhecem sua graça, sabem que servir é o melhor uso
que podem dar à vida e têm ciência de que Deus prometeu uma recompensa. Jesus
prometeu: “E, se alguém me servir, o Pai o honrará”.( João 12:26). Paulo
disse: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e
do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis
aos santos.” (Hebreus 6:10)
Imagine
o que poderia ter acontecido, se apenas 10% dos cristãos em todo o mundo levasse a sério seu papel de servo.
Imagine todo o bem que poderia ter sido feito. Você está disposto a ser uma
dessas pessoas? Não importa sua idade; Deus irá usá-lo se começar a agir e a
pensar como servo. Albert Schweitzer disse: “As únicas pessoas realmente
felizes são aquelas que aprenderam a servir”.
Uma pergunta
para meditar:
Normalmente,
preocupo-me mais em ser servido ou em achar maneiras de servir os outros?
Nenhum comentário:
Postar um comentário