CONSELHOS SOBRE A ORAÇÃO DO PASTOR
Pr. Martin Holdt
Nosso trabalho como pastores não é apresentar um sacrifício pelos homens, e sim, persuadi-los a acreditar num sacrifício já oferecido. No entanto, é exatamente baseado nisso que nós rogamos a Deus em favor dos homens.
Neste sentido, a oração é nosso trabalho mais importante. É um trabalho árduo. É uma luta contra o adversário. É uma luta contra a carne. É um trabalho essencial.
O ministro que não ora por seu rebanho, não é ministro de jeito algum. Ele é orgulhoso, porque faz seu trabalho como se pudesse obter algum sucesso sem o poder de Deus. Ele não mostra misericórdia, porque não é capaz de perceber que a maior necessidade de seu povo são os favores divinos do Senhor sobre eles. Assegure-se disto, se ele não orar, pagará um alto preço.
John Smith diz: “A oração é a vida e a alma da função sagrada; Sem ela, não podemos esperar qualquer sucesso em nosso ministério; sem ela, nossas melhores instruções são inférteis e nosso trabalho mais penoso não produz efeito.”
A oração frequentemente alcança o sucesso para pequenos talentos, enquanto que os maiores talentos sem oração são simplesmente inúteis e perniciosos. Um ministro que não é um homem de piedade e oração, quaisquer que sejam seus outros talentos, não pode ser chamado de servo de Deus; muito pelo contrário, ele é na verdade um servo de Satanás, escolhido por ele pela mesma razão que ele escolheu a serpente em tempos remotos, visto ser ela o mais sutil dos animais criados por Deus. Que monstro, oh Deus, este tipo de pastor deve ser, este dispensador das ordenanças do evangelho, este intercessor entre Deus e o seu povo, este reconciliador do homem com o seu criador, se ele não se enxerga como um homem de oração.
Deus frequentemente dá bênçãos ao seu povo, em resposta à oração do pastor. Nós devemos levar as suas necessidades até Ele; devemos lamentar pelos pecados deles; devemos orar pela conversão dos pecadores e pela edificação dos santos, e, ai de nós, se não o fizermos!
Se a igreja deve, pelos planos de Deus, florescer, os cristãos precisam aprender a orar.
Os ministros não seguem um a carreira. Um ministro é cativo do serviço divino e não pode servir a Deus sem oração.
É obrigação do pastor orar por toda a sua congregação de forma nominal, isto é, lembrando-se de cada um individualmente. “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós” (1Sm.12:23a). O pastor deve ter um livro de oração, tendo lá uma lista com os nomes de todos os membros da igreja que pastoreia e seus filhos, tendo também, os nomes de outros pastores e instituições pelas quais sinta necessidade de orar. Deve também fazer parte da lista: as finanças da igreja, o louvor e a adoração da igreja, e os vários outros departamentos e atividades.
Há inúmeras coisas que são esperadas de um pastor. Se fizéssemos tudo aquilo que é esperado de nós, certamente nunca iríamos orar. Se você voltar para Atos 6, perceberá que quando aquela prioridade foi estabelecida (orar e ensinar a Palavra), os resultados foram fenomenais. Nosso ministério não se orienta por resultados, mas quando pela vontade de Deus, estes homens fizeram aquilo que era a obrigação deles, “crescia a Palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.” Nunca haverá um verdadeiro potencial evangelístico sem a oração intercessora.
Vejamos 10 aspectos importantes da oração bíblica que devem ser lembrados:
1 – Necessidade: Quando aquele fariseu dos fariseus, Saulo de Tarso, foi convertido, ele imediatamente começou a orar. A descrição exata dada sobre Saulo foi: “pois ele está orando”. É como se o anjo dissesse: “Ele nunca fez isso antes”. Isso agora se tornou uma necessidade para ele. Sem oração um homem não pode ser cristão.
2 – Urgência: O novo convertido quando começa a desfrutar das maravilhas da nova vida, ele começa a enxergar o mundo como um lugar no qual o nome de Deus está sendo desonrado. Ele então, implora urgentemente com as seguintes palavras: “Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Sl.85:6) e “Já é tempo, Senhor, para intervires, pois a tua lei está sendo violada” (Sl.119:126).
3 – Valorize a importância da Oração: Nós somos impotentes sem ela. Não chegamos a lugar algum sem ela. Como venceremos os obstáculos? Nós, também, às vezes parecemos ficar impotentes diante das necessidades humanas. Teríamos nós abandonado o lugar secreto do Altíssimo para nossa própria perda e impotência no púlpito? Que Deus nos desperte!
4 – Impotência: No Sl.50:7-12, Deus declara sua auto-suficiência. No contexto, Ele nos ensina sobre nossa dispensabilidade e impotência. Deus não precisa de nossas orações. Nós precisamos dEle. Ele não precisa de nós! Se a salvação vem do Senhor, e se as pessoas devem ser convertidas, isto deve ser pela graça de Deus, pelo poder de Deus e através do evangelho. Nunca é por causa de quem eu sou, e sim apesar de quem eu sou.
5 – Constância: Paulo nos exorta em 1Ts.5:17 a “orar sem cessar”. Davi orava sete vezes por dia; Daniel, três vezes por dia. Lutero, ao encontrar um amigo na rua diria: “Irmão, eu te encontro orando?”
6 – Conteúdo: Por que as orações foram registradas nas Escrituras? Para que você e eu pudéssemos aprender a orar.
7 – Importunidade: Isto é, entender a vontade de Deus e traze-la diante dEle para sua própria atenção, contínua e persistentemente. Se a igreja não é aquilo a que foi chamada a ser, não deveríamos nós implorar pela misericórdia de Deus para que o corpo de Cristo seja feito uma honra ao seu nome neste pobre e miserável mundo? Lc.18:1 “sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer” Quão sério você é em sua preocupação com a igreja de Deus?
8 – Certeza: Isto significa fé. Certeza de estar orando pela vontade de Deus.
9 – Extensão: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão.” (Sl.2:8) diz o Pai ao filho. O crente aceita esta promessa em oração. Sua maior alegria e seu maior prazer estão em saber que os rebeldes dobram seus joelhos diante do Filho de Deus, que eles tocam o cetro estendido a eles, e que assim são salvos pela graça. O crente, de joelhos, anseia mais que qualquer outra coisa, que Cristo possa ter um seguidor, um seguidor que o adore. Ele espera que um seguidor admire a Jesus. Todo intercessor pode se identificar com Spurgeon, sobre quem Archibald Brown disse certa vez: “Ele O amou, ele O adorou, ele era nosso satisfeitíssimo cativo do Senhor”. Quando Paulo orou, pensou grande. Veja sua oração em Efésios 3.14-21. Pense grande, quando você orar!
10 – Objetivo: O objetivo é a glória de Deus. “Santificado seja o Teu nome”. Quando Jesus levantou seus olhos aos céus, Ele disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a Ti, e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (Jo.17:1-5)
Conclusão:
Sempre que você puder, ore em voz alta. Este conselho tão prático tem me ajudado através dos anos. “Ao Senhor ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao Senhor.” Verbalizar e dizer em voz alta os seus pedidos a Deus é uma simples, porém significativa, ordem bíblica.
Leia Zacarias 8.20-23. Se queremos ver a Palavra de Deus adentrar poderosamente as fortalezas do mal e do pecado, todos nós temos de levar a sério o assunto da oração intercessora.
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